O garotinho, coitado, não foi bem sucedido na tentativa de salvar a vida do sapo de estimação lá do quintal. Disseram-lhe “Não se preocupe, menino, o importante é a intenção”.

Mas então veio um sábio sem bigode e profetizou:

A era da procrastinação, das meias medidas, dos expedientes que acalmam e confundem, a era dos adiamentos está chegando ao fim. No seu lugar, estamos entrando na era das conseqüências.

(Winston Churchill, 1936)

Proof of global warming

É difícil precisar quando começou essa história de o importante é a intenção. Pode ter surgido da religiosidade medieval, onde apenas a intenção bastava para poder adentrar ao reino dos céus. A própria idéia de morrer em nome de deus corrobora essa visão, por mais que, no final das contas, o que importava pra religião era o resultado: ter mais terras convertidas e sob seu domínio.

Não há como se negar que essa ideologia ainda perdura na sociedade atual, e com muita força. As intensas discussões sobre o aquecimento global que tem tomado conta da mídia mostram isso claramente. Todos dizem: vamos tomar consciência, é preciso plantar árvores, usemos etanol, hermanos!, crédito sustentável e blablablá.

Eiffel under water

Isso demonstra perfeitamente que a antiga ideologia ainda é homogênea. Ninguém diz o que as coisas realmente são (com exceção das propagandas da Sprite). Até mesmo aquele filme merecedor de Óscar (Papai-noel não existe) segue essa doutrina, por mais que cite a frase do não-bigodudo. Nos letreiros, ele diz “Por que você não usa só uma papeleta de papel-higiênico por ida ao banheiro?” e coisas do tipo.

Ao que tudo isso leva? Tirando as discussões acadêmicas do aquecimento global ser uma crise ou não, supondo que a maioria das coisas que dizem os cientistas do IPCC seja verdadeira, então nos deparamos com uma verdade pouco conveniente:

O que importa NÃO é a intenção. É o resultado, a eficiência.

Se um banco fizer uma propaganda dizendo “Olhe, nós oferecemos um crédito sustentável, nós plantamos árvores,…”, desligue a TV e pergunte-se: qual é o resultado real de tais medidas? Não estão prezando mais pela intenção do que pela eficiência?

London 2023 (Será?)Vale um parênteses. A nova filosofia que deverá ser seguida, o que importa é o resultado, não pode servir de justificativa para um desleixo pessoal de cada um. Afinal, se o que importa é o resultado e os maiores resultados vem de iniciativas de Estado e das grandes corporações, o que sou eu perante isso tudo? Continua a ser extremamente deselegante jogar bituca de cigarro na calçada. E é de extrema ignorância não separar o lixo reciclável (se houver coleta seletiva na cidade, obviamente).

Portanto, a nova doutrina não exime, de forma alguma, o cidadão de ter uma atitude construtiva em relação ao seu ambiente. Porém, é necessário considerar a grande importância das megainstituições, sejam públicas ou privadas. E estas devem parar de fazer pregar a idéia de “nós somos bonzinhos”. Bonzinhos o c*****! Não tão fazendo mais do que a obrigação.

Mas isso é a teoria, vamos ver como é que acontece na prática.